domingo, 27 de fevereiro de 2011

"ECLIPSE" MELHORA, MAS NÃO EMPOLGA.


(Originalmente publicado em http://www.evod.com.br/, Jun/2010)

Chegou no último dia 30 aos cinemas a terceira parte da adaptação dos livros de Stephenie Meyer, "A Saga Crepúsculo: Eclipse", desta vez dirigido por David Slade ("30 Dias de Noite"). Não se pode negar que temos até então, dentro da franquia, a melhor produção dos três, mas que, infelizmente, não empolga o bastante para ser épico.

O filme abre com uma de suas melhores cenas: aqui temos uma prévia muito enganosa do que o filme promete, visto que ele não consegue se sustentar, ao decorrer de suas 2 horas de duração, pecando muito no melodrama. Somos apresentados, em meio de uma chuva, à figura de um menino correndo e que logo após se transforma em um recém-vampiro. Mais tarde, descobrimos que seu nome é Riley e que ele está desaparecido da cidade.

A história principal e na qual o filme se sustenta e se auto-afirma até demais é no que envolve na decisão de Bella (Kristen Stewart) em virar uma vampira logo após que se formar. Acontece que Edward (Robert Pattinson), impõe a condição de transformá-la somente quando ela se casar com ele. Como dito anteriormente, temos bastantes cenas repetitivas e que nos lembram (mais ainda!) da idéia do filme.

Em contra-partida, temos o drama de Jacob, em uma péssima e mecânica interpretação de Taylor Lautner, que se sente rejeitado por Bella e tenta, de várias formas, fazer com que ela se decida por ele. Ao passo que o filme cresce em seu próprio melodrama e tenta fazer com que os espectadores sintam-se mais apaixonados pelos personagens, vemos que a vampira Victoria (desta vez interpretada por Bryce Dallas Howard), está de volta pronta para se vingar dos Cullen. Ela, juntamente à Riley, formam um exército de recem-transformados e que, ao decorrer do filme, sabemos que o período após a transformação é o período no qual os vampiros estão mais fortes e resistentes. Sustentando essa história não tão paralela, o filme chega em seu ápice em um tom de desconforto e de que deixa (e MUITO) a desejar: a cena da batalha dura em torno de 5 minutos e não tem nada de memorável; aqui vemos também a deficiência com que os atores interagem com os efeitos visuais, especialmente o dos lobos.

Em meio à toda essa confusão, temos alguns pontos positivos: as histórias paralelas contadas no filme e que nos servem de guia e uma ponte para o próximo filme, são muito bem apresentadas e memoráveis. O resto da família Cullen tem aqui maior destaque e acabam se tornando as melhores surpresas do filme: vemos a história da transformação de Rosalie (Nikki Reed) em um cuidado estético quase que impecável, além da de Jasper (Jackson Rathbone) e que ambas nos remetem à situações de um passado muito distante. Uma outra surpresa do filme também são os Volturi, figuras enigmáticas no mundo dos vampiros, que são apresentados num tom sombrio correto e Dakota Fanning acaba, mais uma vez, se destacando por sua atuação muito boa entre os companheiros.

Com o final do filme se aproximando, sentimos que há muita informação sendo jogada ao mesmo tempo para o espectador, que acaba se perdendo, caso não tenho lido o livro. O fluxo de personagens que são apresentados é muito grande e deficiente; acabam por os desperdiçar por não saberem dosar o melodrama habitual da série com os tons épicos que o livro tende a oferecer. Portanto, o filme acaba se tornando, apesar de melhor produzido, inferior ao anterior, "Lua Nova", onde há, incrivelmente, muito mais ação que neste. O filme está longe de decepcionar os fãs da série, mas passa longe de um blockbuster épico. É sim uma boa diversão para uma tarde, mas acaba servindo apenas como mais uma ponte para o desfecho da série. Que venha, então, "Amanhecer" e suas, talvez, desnecessárias duas partes.

Nota final: 6/10. (2,5 estrelas de 5).